Urnas rechaçam atletas e o esporte sai derrotado. Mandatos Coletivos seriam alternativa?

Não é novidade que 2020 tem sido um ano pra se esquecer para todo o mercado esportivo, e, nas eleições, isso não foi diferente. Candidatos ligados ao Esporte foram literalmente varridos nas urnas.


O destaque, talvez, fica na corrida pela vereança em São Paulo, com os Olímpicos Maurren Maggi e Diego Hypolito, além do polêmico e midiático Marcelinho Carioca. Candidata ao Senado em 2018 pelo PSB, Maurren obteve quase 3 milhões de votos no Estado, o que lhe credenciou como uma das apostas como puxadora de votos no DEM. Com quase R$ 350 mil de fundo eleitoral, apenas em militância, a campeã olímpica gastou R$ 138.050,00, segundo dados do TSE. Obtendo míseros R$ 6 mil votos.


Diego Hypolito, aposta do PSB, sem deter tanto apoio financeiro do partido, focou nas mídias sociais, gastando R$ 71.500,00 em impulsionamento de conteúdo, e o resultado: pouco mais de 3 mil votos.


Marcelinho Carioca, já veterano em eleições, apostou na veiculação de sua imagem ao do Presidente Bolsonaro: há pouco tempo foi parte de uma polêmica, ao entregar uma camisa do Corinthians à Jair Bolsonaro, deixando em saia justa o Corinthians e o patrocinador máster, do qual era embaixador, a BMG. Com 7 mil votos, ficou longe da vaga.


Diferentes receitas, mesmo resultado: fiasco. E os exemplos não param. Atletas consagrados (como Maurren e Diego), boleiros (como Marcelinho, Adriano Gabiru, Carlinhos Bala), influencers (como Douglas Viegas Ninja), ou, mesmo, cartolas (como o presidente da FPJ, o Chico do Judô)



O volume de campanhas dificulta uma análise minuciosa, mas, numa análise superficial, o que salta aos olhos, mesmo com diferentes estratégias, é que a aposta na pauta do esporte, ou na fama adquirida no esporte, foi receita para o fracasso.


Os poucos resultados positivos do segmento, tem um pano de fundo que vai além da plataforma esportiva. George Hato carimbou seu retorno à câmara, defensor do esporte, também é médico, e possui uma ampla plataforma política. Axel Grael, irmão de Lars e Torben Grael, foi eleito prefeito de Niterói, entretanto, também, já possuía carreira política consolidada.


Outro exemplo de político de sucesso, que muitos, de forma errônea, creditam o sucesso ao nome conquistado no esporte, é do judoca e campeão olímpico, Aurélio Miguel. Apesar de referência no Judô, Miguel conseguiu seus inúmeros mandatos na câmara graças a um trabalho árduo em seu bairro natal, o Butantã, de onde, tradicionalmente, já saía praticamente eleito.


FALTA DE EVENTOS PRESENCIAIS PESOU NA CONTA?


Não podemos desconsiderar que, talvez, os candidatos que baseavam sua candidatura numa plataforma esportiva e, principalmente, em sua fama no meio esportivo, estão entre os principais prejudicados pela ausência de eventos. Difícil imaginar que um tour de Maurren ou Diego, por inúmeros eventos presenciais, não reverberaria de forma positiva nas urnas. E, até suas campanhas nas redes sociais ganhariam mais engajamento. O cenário atual congestionou as redes e afastou os atletas de seus fãs.



MANDATO COLETIVO É UM CAMINHO?


Vale aqui o destaque para os mandatos coletivos. Medida já comum na campanha da extrema esquerda, não se pode negar que, em 2020, a estratégia deu certo. No maior colégio eleitoral do Brasil, o PSOL elegeu três candidaturas de mandatos coletivos, que, basicamente, tiram o foco do candidato, e vendem a defesa de uma ideia, de um projeto. Como, por exemplo, Silvia da Bancada Feminista, obteve incríveis 46267 votos, Elaine do Quilombo Periférico, 22742 votos, e Juntas Mulheres Sem Teto, 21172. Seria insano imaginar três candidaturas coletivas na Câmara de São Paulo, mas é realidade.


Agora, diante do insucesso das candidaturas de atletas, seria o mandato coletivo uma alternativa? Bancada do Esporte? Bancada do Atletismo? Bancada das Confederações? Bancada dos Atletas Olímpicos?


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